Categoria: Textos e Artigos Anarquistas

  • Combater o Fa$cismo pela Ação Direta

    Combater o Fa$cismo pela Ação Direta

    Por Mano da Rádio Cordel Anarquista

     

    Não escrevo esse texto somente para aquelxs pessoas que compartilham do mesmo pensamento que eu, que mesmo diante da conjuntura atual continua críticx e contrárix as eleições e a qualquer tipo de representação, ao contrário,  escrevo para todxs, que independente das eleições mantém a ação direta como a principal ferramenta de transformação social e luta pela emancipação plena do ser humano.

    Estamos diante de um avanço do fa$cismo declarado (porque o fa$cismo institucional¹ mascarado sempre existiu) de uma forma inédita desde o fim da ditadura militar, alguns anos atrás o fa$cismo declarado estava a cargo de pequenos grupos de jovens nazi-fascistas, que encontrávamos geralmente no fim de balada, e que esses encontros resultavam com frequência em violência física, ocasionando em alguns casos até mortes, principalmente de pessoas de sexo-dissidentes, negrxs, nordestinxs, mas também com punks e anarcxpunks.

    Esses grupos como não poderia ser diferente, sempre tiveram ao seu lado os aparatos de repressão do e$tado, estes fazendo da impunidade e omissão uma grande contribuição para o crescimento desses grupos na sociedade. Para muitxs anarquistas restava somente umas meias com bolas de bilhar, e outros tipos de improvisos para se defender, mas que durante muitos anos foi relativamente suficiente para de certa forma conter esses grupos.

    Mas diversos fatores nos últimos anos contribuíram para que o pensamento desses pequenos grupos saísse dos porões do DOPS e penetrassem de forma sistemática no senso comum da população. Dos vários motivos que acredito ser responsáveis por essa onda fa$cista atribuo ao crescimento do empoderamento de setores da sociedade que sempre foram excluídxs, como xs sexo-dissidentes, mulheres, negrxs, pobres e diversos outrxs, que se organizaram e souberam utilizar das tecnologias para construir afinidades e combater os diversos tipos de preconceito. E como onde tem excluidx e oprimidx sempre terá previlegiadx e opressor, obviamente aquelxs que usufruíam e ainda usufruem do status quo opressor ficaram sedentxs por discursos e pessoas que representassem esse ódio contra a ascensão dessas pessoas que elxs sempre oprimiram.

    Um momento que ficou visível que esse tipo de pensamento não era minoria, foi nas manifestações de junho de 2013, quem pode acompanhar sentiu na pele literalmente que o nazi-fa$cismo não estava mais restrito aquelxs jovens carecas de vida noturna, mas havia tido uma grande adesão, principalmente da classe merda, e classe merda alta.

    Já se passaram cinco anos desde as gloriosas e ao mesmo tempo aterrorizadoras manifestações de 2013, e o que vimos é que o pensamento nazi-fascista conseguiu encontrar alguém para se personificar, e com o apoio dos meios de comunicação, da burguesia nacional e internacional, conseguiram propagar o pensamento de ódio contra xs oprimidxs de uma forma assustadora, o que antes era tido como preconceito hoje tem se naturalizado e tem feito parte do cotidiano das relações sociais. Mas dessa vez não é somente a classe merda que defende esse tipo de pensamento, tem atingido a população pobre e periférica também, e o resultado dessa adesão em massa tem sido assassinatos, ameaças e todo tipo de violência as pessoas principalmente do sexo-dissidente, mulheres, negrxs, mas também ativistas e movimentos sociais.

    Na proporção que chegou discordo que tudo isso pode ser resolvido no âmbito eleitoral, independente do resultado das eleições esse pensamento e essas práticas irão continuar, até mesmo porque as duas forças que disputam o poder do e$tado já mostraram o que fazem com quem se rebela contra elxs, trago como exemplo para a memória dxs leitorxs a lei antiterrorista sancionada pelo governo anterior, e a repressão e perseguição dxs anarquistxs nas manifestações de 2013.

    Diante da escolha que uma parte dxs anarquistxs tem feito em torno das eleições pode ser que discordem principalmente da análise que faço no paragrafo acima, mas tenho grande esperança que não discordem de uma coisa, que temos que agir, que temos que nos mobilizar em todos os espaços que temos acesso, na vizinhança, na associação de bairro, nas ruas, escolas, sindicatos, enfim, precisamos urgentemente combater o fa$cismo, e isso só pode ser feito pela ação direta.

    Mas as estratégias não têm como ser semelhante da época que combatíamos xs skinheads, através da violência, (dependendo dos grupos sim,rs), pois agora esse pensamento nazi-fascista não contempla somente uma minoria, mas agrega uma parte considerável da população, e em muitxs casos nossxs próprixs familiares. Precisamos usar a ferramenta mais eficaz que historicamente xs anarquistxs sempre utilizaram, que é a educação, precisamos se colocar presente nos espaços de socialização, seja debatendo de forma direta e/ou mostrando nosso pensamento anárquico através das artes, da música, do cinema, mas independente da forma, precisamos propagandear o respeito e a convivência com a diversidade em todos os âmbitos e junto com todxs transformar o micro para um dia derrubarmos o macro-poder, isso sim é o que nos localiza como anarquistas.

    Obs: Lamento muito que o termo fa$cismo tenha se banalizado e hoje em dia tem sido utilizado pelxs fa$cistas para combater outrxs fa$cistas.

    ¹Observação de Crosta Knup após a publicação desse artigo, e que o autor achou relevante explicitar.

    A coluna “Debates Anarquistas” tem como objetivo estimular/fortalecer/provocar o debate em torno do anarquismo fora do espaço acadêmico ou formal de educação, através de textos autorais, buscando uma linguagem inclusiva e que valorize a pluralidade do anarquismo.

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  • A Morte da Escola: A construção de uma vida sem escola

    Bora refletir sobre a Morte da Escola? A morte que ela causa na gente. Como bem sabemos a escolarização é um projeto de colonização, porque insistir? Por que insistir em ressignificar o espaço escolar se ao legitima-la vamos nos distanciando dos espaços e práticas sociais autônomas?

    sonho de explodir a escola espaço opressor 1

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  • Relato sobre o Protesto de 13/06 em Salvador/BA

    Relato sobre o Protesto do dia 13/06 em Salvador/BA
    Somando aos diversos protestos espalhados pelo país, Salvador teve na quinta-feira dia 12/06, dia oficial da abertura da Copa do Mundo, a sua primeira manifestação durante a copa que saiu do Iguatemi e fechou algumas ruas da cidade, tendo o momento mais tenso quando durante o percurso passou um ônibus oficial da fifa, e que muitxs foram correndo de encontro, mas a policia impediu que chegassem perto empurrando-xs.
    Concentração Campo Grande – Foto Espectro

    Já na sexta- feira dia 13/06 teve o seu segundo protesto contra a Copa e estava previsto muito mais pessoas devido ao fato de ser o primeiro jogo em Salvador, e também a possibilidade de repressão era mais real, porque o objetivo do trajeto era chegar na Arena Fonte Nova ou na Festa organizada pela Fifa, chamada “Fifa Fan Fest”. Mesmo com a expectativa de que seria maior, logo na concentração já dava para perceber que talvez fosse a mesma quantidade de pessoas que na quinta feira, mas nessa havia algo diferente, a presença aparentemente de dois grupos, um de pessoas de partidos políticos (PSOL, PSTU, POR e Cia) e outra por jovens vestidos de preto, com camisetas estampadas de grupo de rock, com bandeiras pretas pintadas o A de Anarquia. Essa diferença não se dava somente pelas cores ou visual, mas também pela localização geográfica que estavam esses dois grupos, o grupo dos partidos estavam logo a frente da praça Campo Grande, balançando suas bandeiras, querendo dar visibilidade aos seus respectivos partidos, e o outro grupo estava mais para dentro da praça, conversando e pintando suas bandeiras.

    Protesto Corredor da Vitória – Foto Espectro

    A concentração estava marcada para às 13:00 hrs, mas até às 16:00 hrs não havia tido nenhum tipo de conversa entre as pessoas presentes, até que o grupo que estava de preto foi até a frente da praça com o objetivo de chamar uma conversa com todxs, com o objetivo de definir qual seria o tipo de ação que seria feito, mas ao chamar a conversa, as pessoas que se reuniram no circulo, em sua maioria eram os mesmos jovens que estavam de preto, enquanto os integrantes dos partidos políticos ou estavam conversando com os policiais, ou fingiam que não estava havendo nada, e nessa primeira conversa a maioria das pessoas decidiram ir para o “Fifa Fan Fast”, mas ao sair viram que muitas pessoas não foram, e algumas pessoas acharam melhor chamar uma nova conversa, para incluir todxs até xs integrantes dos partidos, algo que não mudou muito, porque nessa segunda conversa estiveram as mesmas pessoas da conversa anterior, e foi decidido novamente que o destino era o “Fifa Fan Fest”, e que o trajeto seria o Corredor da Vitória, sendo assim o grupo que estava presente saiu sentido ao destino decidido, e xs integrantes dos partidos políticos ficaram na praça campo grande, dando voltas na praça e escoltadxs por policiais “risos”.

    Protesto Corredor da Vitória – Foto Espectro

    O protesto estava transcorrendo sem nenhum problema, com exceção da quantidade de carros da Rondesp (Ronda Especial da Bahia) que cada vez mais se acumulavam atrás da manifestação, até que logo a frente uma barreira da PM foi montada. Chegando a menos de 50 metros dessa barreira, sem nenhum tipo de alerta, ou conversa, a PM começou a atirar balas de borracha e bombas de gás, o que fez inevitavelmente que houvesse um confronto desigual entre a PM e xs manifestantes. Nesse confronto uma concessionária da Honda teve seus vidros e carros danificados, já xs manifestantes não tendo muito como fugir porque estavam cercadxs, alguns entraram em uma rua sem saída, onde foram encurraladxs, e mesmo todxs deitadxs no chão conforme as ordens dos militares e não demonstrando nenhuma resistência, os policiais chegaram dando chutes e batendo com cassetetes, demonstravam que seu objetivo não era somente prender, mas torturar, e fizeram isso com quase todas as 23 pessoas que foram presxs, 14 adultxs e 9  menores de idade, entre xs presxs teve uma companheira que além de apanhar sofreu assédio, e recebeu todo tipo xingamento, principalmente de cunho machista.

    Concessionária da Honda e Carro danificado – Foto Espectro
    Companheira que sofreu agressão e assédio – Foto Espectro

    Todxs foram encaminhadxs para a 1º DP, localizada no bairro dos Barris, mas não demorou muito e foram encaminhadxs para a DAI (Delegacia para Adolescente Infrator) em Brotas, algo que na interpretação dxs advogadxs populares presentes representava que a PM não queria dar visibilidade a detenção.

    Logo que chegaram na DAI já haviam diversxs advogadxs populares para dar apoio jurídico, e também diversxs companheirxs de luta, que ficaram lá fora acompanhando e aplaudindo cada pessoa que era liberada. Xs primeirxs a serem interrogadxs foram xs menores de idade junto da presença dos responsáveis onde em seguida foram liberadxs; já o restante foi sendo interrogadx e liberadx ao longo da madrugada, sendo que a ultima pessoa só foi liberada às 04:30 da manhã.
    Agressão Policial – Foto Espectro

    Pudemos perceber que o objetivo dos governantes seja na esfera Municipal, Estadual e Federal é que farão de tudo para conter qualquer manifestação que tenha como objetivo bater diretamente nos símbolos da Copa (Arena, Fifa Fan Fest e etc), e assim defender os lucros milionários das empresas envolvidas nesse megaevento, onde vão utilizar do máximo de repressão para atingir esse objetivo.     

    Tudo isso que aconteceu em Salvador e tantos outros casos que estão acontecendo nas cidades sedes e que está havendo protestos contra a copa, de nenhuma maneira tem que servir para intimidar xs companheirxs de luta, fazendo com que fiquem em casa, porque a repressão não demonstra somente a força do estado, mas significa também que estão atacando os lugares certos, por isso FORÇA na LUTA companheirxs, sem pátria e sem partido, são muitxs libertárixs e anarquistas em todo o Bra$il e no Mundo contra Copa, continuem na resistência camaradas.