Categoria: Debates Anarquistas

  • Combater o Fa$cismo pela Ação Direta

    Combater o Fa$cismo pela Ação Direta

    Por Mano da Rádio Cordel Anarquista

     

    Não escrevo esse texto somente para aquelxs pessoas que compartilham do mesmo pensamento que eu, que mesmo diante da conjuntura atual continua críticx e contrárix as eleições e a qualquer tipo de representação, ao contrário,  escrevo para todxs, que independente das eleições mantém a ação direta como a principal ferramenta de transformação social e luta pela emancipação plena do ser humano.

    Estamos diante de um avanço do fa$cismo declarado (porque o fa$cismo institucional¹ mascarado sempre existiu) de uma forma inédita desde o fim da ditadura militar, alguns anos atrás o fa$cismo declarado estava a cargo de pequenos grupos de jovens nazi-fascistas, que encontrávamos geralmente no fim de balada, e que esses encontros resultavam com frequência em violência física, ocasionando em alguns casos até mortes, principalmente de pessoas de sexo-dissidentes, negrxs, nordestinxs, mas também com punks e anarcxpunks.

    Esses grupos como não poderia ser diferente, sempre tiveram ao seu lado os aparatos de repressão do e$tado, estes fazendo da impunidade e omissão uma grande contribuição para o crescimento desses grupos na sociedade. Para muitxs anarquistas restava somente umas meias com bolas de bilhar, e outros tipos de improvisos para se defender, mas que durante muitos anos foi relativamente suficiente para de certa forma conter esses grupos.

    Mas diversos fatores nos últimos anos contribuíram para que o pensamento desses pequenos grupos saísse dos porões do DOPS e penetrassem de forma sistemática no senso comum da população. Dos vários motivos que acredito ser responsáveis por essa onda fa$cista atribuo ao crescimento do empoderamento de setores da sociedade que sempre foram excluídxs, como xs sexo-dissidentes, mulheres, negrxs, pobres e diversos outrxs, que se organizaram e souberam utilizar das tecnologias para construir afinidades e combater os diversos tipos de preconceito. E como onde tem excluidx e oprimidx sempre terá previlegiadx e opressor, obviamente aquelxs que usufruíam e ainda usufruem do status quo opressor ficaram sedentxs por discursos e pessoas que representassem esse ódio contra a ascensão dessas pessoas que elxs sempre oprimiram.

    Um momento que ficou visível que esse tipo de pensamento não era minoria, foi nas manifestações de junho de 2013, quem pode acompanhar sentiu na pele literalmente que o nazi-fa$cismo não estava mais restrito aquelxs jovens carecas de vida noturna, mas havia tido uma grande adesão, principalmente da classe merda, e classe merda alta.

    Já se passaram cinco anos desde as gloriosas e ao mesmo tempo aterrorizadoras manifestações de 2013, e o que vimos é que o pensamento nazi-fascista conseguiu encontrar alguém para se personificar, e com o apoio dos meios de comunicação, da burguesia nacional e internacional, conseguiram propagar o pensamento de ódio contra xs oprimidxs de uma forma assustadora, o que antes era tido como preconceito hoje tem se naturalizado e tem feito parte do cotidiano das relações sociais. Mas dessa vez não é somente a classe merda que defende esse tipo de pensamento, tem atingido a população pobre e periférica também, e o resultado dessa adesão em massa tem sido assassinatos, ameaças e todo tipo de violência as pessoas principalmente do sexo-dissidente, mulheres, negrxs, mas também ativistas e movimentos sociais.

    Na proporção que chegou discordo que tudo isso pode ser resolvido no âmbito eleitoral, independente do resultado das eleições esse pensamento e essas práticas irão continuar, até mesmo porque as duas forças que disputam o poder do e$tado já mostraram o que fazem com quem se rebela contra elxs, trago como exemplo para a memória dxs leitorxs a lei antiterrorista sancionada pelo governo anterior, e a repressão e perseguição dxs anarquistxs nas manifestações de 2013.

    Diante da escolha que uma parte dxs anarquistxs tem feito em torno das eleições pode ser que discordem principalmente da análise que faço no paragrafo acima, mas tenho grande esperança que não discordem de uma coisa, que temos que agir, que temos que nos mobilizar em todos os espaços que temos acesso, na vizinhança, na associação de bairro, nas ruas, escolas, sindicatos, enfim, precisamos urgentemente combater o fa$cismo, e isso só pode ser feito pela ação direta.

    Mas as estratégias não têm como ser semelhante da época que combatíamos xs skinheads, através da violência, (dependendo dos grupos sim,rs), pois agora esse pensamento nazi-fascista não contempla somente uma minoria, mas agrega uma parte considerável da população, e em muitxs casos nossxs próprixs familiares. Precisamos usar a ferramenta mais eficaz que historicamente xs anarquistxs sempre utilizaram, que é a educação, precisamos se colocar presente nos espaços de socialização, seja debatendo de forma direta e/ou mostrando nosso pensamento anárquico através das artes, da música, do cinema, mas independente da forma, precisamos propagandear o respeito e a convivência com a diversidade em todos os âmbitos e junto com todxs transformar o micro para um dia derrubarmos o macro-poder, isso sim é o que nos localiza como anarquistas.

    Obs: Lamento muito que o termo fa$cismo tenha se banalizado e hoje em dia tem sido utilizado pelxs fa$cistas para combater outrxs fa$cistas.

    ¹Observação de Crosta Knup após a publicação desse artigo, e que o autor achou relevante explicitar.

    A coluna “Debates Anarquistas” tem como objetivo estimular/fortalecer/provocar o debate em torno do anarquismo fora do espaço acadêmico ou formal de educação, através de textos autorais, buscando uma linguagem inclusiva e que valorize a pluralidade do anarquismo.

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  • A Luta Anarquista longe dos holofotes

    A Luta Anarquista longe dos holofotes

    Por Mano da Cordel Anarquista

    A Imprensa sempre teve um papel de destaque na história do Anarquismo, seja através de jornais, correspondências, rádios e até mesmo tvs. E o esforço para manter esses espaços sempre foi legitimo, autogerir nossa própria comunicação e propagandear a luta pela emancipação popular, em contraponto aos veículos de comunicação financiados por aqueles que querem que todxs nós continuemos abastecendo suas contas bancárias. Dessa forma é mais que necessário, é urgente, que fortaleçamos as já existentes e construamos ainda mais meios de comunicação anarquista e que esses se tornem referência na luta popular, não só no âmbito das classes sociais, da economia, mas de combater todos os tipos de opressões que impedem que sejamos livres.

    Mas quando falamos de bra$il, com seu território quase continental, e cuja cultura e influência politica ainda carrega o conservadorismo de nossos invasores, a comunicação anarquista também é bastante debilitada e de uma certa forma restrita, aonde observamos um grande contraste na organização anarquista, libertária e até mesmo de esquerda, que enquanto nos grandes centros urbanos há uma maior organização ou mesmo concentração dessas pessoas, já quem escolhe viver ou são obrigadas a estarem em locais mais distantes , nesse caso existe uma grande dificuldade de atuar politicamente, aonde o isolamento é algo bastante difícil de transpor, somado a isso essas pessoas também ficam invisíveis da luta anarquista no âmbito macro.

    Da mesma forma que a luta especificamente anarquista se mostra mais dispendiosa quanto mais distante dos centros urbanos você se encontra, ao mesmo tempo para aquelxs que conseguem sair desse imobilismo, bastante justificável por sinal, quando isso acontece outras vivências e possibilidades aparecem, seja da forma declaradamente anarquista, ou simplesmente através de uma palavra ou conceito universal, que é a liberdade. É em ambientes assim onde temos a possibilidade de sairmos de um pensamento ortodoxo e excludente, para valorizarmos e respeitarmos a pluralidade de pensamento, sem é claro abrir mão de princípios básicos que acreditamos.

    Quando decodificamos a linguagem que utilizamos e também a que entendemos, nesse momento abre-se um grande horizonte de possibilidades, e percebemos que a luta pela liberdade não está limitada somente aos ambientes anarquistas ou mesmo de esquerda, e que a população demonstra através de ações, muitas vezes invisibilizadas, que são contrárias ao autoritarismo e as tiranias, além disso também constroem alternativas bastante combativas e criativas.

    Quando é exposto os pontos positivos de lutar longe dos holofotes, é claro que não pode ser descartada as grandes dificuldades existentes também, no caso as diversas opressões que muitas vezes se tornam mais latentes quanto mais se afastamos dos grandes centros urbanos. Mas isso não deveria ser um empecilho para ampliarmos nosso campo de atuação, pelo contrário, mostra a urgência de somarmos nesses espaços, ainda bastante dominados pelos coronéis, pelo machismo e racismo, e assim sair da nossa zona de conforto, construindo dessa forma alternativas que abrangem a integralidade de ações que o anarquismo tanto almeja.

    É mais que necessário estabelecermos uma rede de fortalecimento entre xs individuxs e coletivxs, que tal como a Cordel Anarquista se encontram distante de seus pares, e também muito importante aumentar a relação entre xs companheirxs presentes nos grandes centros urbanos.

    Força para todxs que lutam em lugares aonde o conformismo é a regra e a resistência é a exceção!!!

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  • O Anarquismo não é um Estilo de Vida

    O Anarquismo não é um Estilo de Vida

    Por Mano da Cordel Anarquista

    Nesse texto irei no sentido contrário do autor Murray Bookchin quando escreveu o livro “Anarquismo Social ou Anarquismo de Estilo de Vida: um abismoimages-duckduckgo-com intransponível”, que ao se referir aos vícios do anarquismo contemporâneo deixa de criticar as diferentes vertentes do anarquismo, colocando como se o maior vilão fossem xs chamadxs anarquistas individualistas, influenciadxs por Max Stirner, Hakin Bey, Michel Foucault, enfim aqueles que todxs xs estruturalistas gostam de chamar de pós-modernos.

    Não tenho a intenção de atacar exclusivamente qualquer vertente do anarquismo, pois as críticas que serão feitas nesse texto nem aquelx que lhe escreve está isentx de recebê-las, mas ao invés de culpabilizar individuxs, coletivos, vertentes, quero confrontar com as práticas que nem mesmo xs teóricxs clássicos do anarquismo escapam.

    Quando me refiro ao Anarquismo estou me referindo a luta contra todas as formas de opressão que impedem a emancipação plena dx ser humanx e de todos os animais. Nesse sentido o anarquismo não existe de forma isolada, ele está ligado completamente a ação. Sendo assim como poderíamos considerar alguém anarquista? O debate que quero fazer é que não existe um Ser Anarquista, mas um Estar Anarquista, pois só podemos nos considerar anarquistas enquanto estamos no enfrentamento direto a todas as opressões que nos aprisionam, ou seja, não é um título que ganhamos e que podemos levá-lo tranquilamente para o resto da vida sem que necessitamos fazer qualquer esforço, e nem mesmo uma proteção que impede uma autocrítica.

    serveimageE ao contrário do que pensava Bookchin o problema do anarquismo contemporâneo e mesmo do clássico, não está no fato dxs anarquistas assumirem diversas frentes de luta, tanto da micro como da macro politica, o problema é que ainda vemos uma grande resistência ou mesmo tabu de enfrentarmos diversas opressões que nos acompanham ao longo de séculos, mas que para muitxs é um campo minado, pois esse debate nos coloca muita vezes do lado daquelxs que oprimem e não do lado confortável de quem julga a opressão alheia.

    Diferenciar a luta anarquista da influência do socialismo autoritário (ou estruturalista) também é um dos desafios que se coloca quando o assunto é o combate a todas as opressões, pois tendemos a escolher um “inimigo nº1” para enfrentar e assim todas as nossas estratégias caminharão nesse sentido, dando prioridade para algumas opressões e deixando em segundo plano outras, que além de criar uma confusão, perdendo muitas vezes o nosso horizonte politico, o que acontece é que no final chegamos sempre na mesma conclusão, a opressão não trabalhada sempre retorna, e quando retorna o resultado é a destruição ou transformação, sendo a destruição sem a transformação o mais provável de acontecer, causando o distanciamento dxs individuxs envolvidxs.

    Semelhante ao que sempre houve com xs marxistas a séculos, no Brasil está crescendo uma nova categoria de anarquistas, xs anarquistas de fim de semana, ou de academia, e isso acontece também devido ao fim de espaços/okupas anarquistas, que sempre serviram de laboratórios de desconstruções, que por conta de diversos conflitos, sendo alguns já relatados acima, perdemos não somente espaços fixos, mas estamos perdendo cada vez mais a responsabilidade do encontro, momento que pode ser extremamente importante para nos distanciarmos da nossa zona de conforto, e voltarmos a ser perigosxs.

    Finalizo/Inicio dizendo que esse texto poderia também se chamar “Manifesto paraserveimage1 que a Ação tenha mais força que os discursos”, pois além de outras coisas a critica que faço aqui é para que o anarquismo não seja mais um estilo (como tantos outros existentes) a ser utilizado ao se encontrar com xs velhxs amigxs do ativismo de tempos anteriores, mas que continue sendo o constrangimento, a intolerância, a desilusão e a destruição de todas as práticas e valores morais construídos ao longo de toda a nossa existência e que nos fazem nascer presxs mesmo sem grades e correntes.

    O Anarquismo só estará vivo enquanto houver Ações Anarquistas!!!

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  • Devemos admitir, caímos na Armadilha da Internet

    Devemos admitir, caímos na Armadilha da Internet

    Devemos admitir, caímos na Armadilha da Internet
    por Mano da Cordel Anarquista
     Introdução
    Desde o surgimento da Cordel Anarquista em março de 2011 ela esteve presente na internet, utilizando de plataformas não seguras de comunicação (Facebook, Skype, Hotmail, Twitter, Blogspot, 4shared, dropbox, etc), e durante todos esses anos esses espaços foram utilizados para divulgar e articular a maioria das atividades da Rádio, devido o entendimento que neles a Cordel poderia ter uma abrangência maior, o que não deixou de ser verdade, realmente ao aderir aos serviços dessas empresas foi possível estabelecer contatos que naquele momento era impossível conseguir. Mesmo com tudo isso, entendemos que hoje, mais do que nunca, no momento em que acontecem prisões e perseguições de companheirxs em vários cantos, chegamos a conclusão que isso nos trouxe mais pontos negativos do que positivos, e que colocamos em risco nossa própria segurança, além de criar uma dependência, que agora com a censura e as limitações impostas por essas empresas, estamos tendo muitas dificuldades em fazer denuncias e também de divulgar nossas atividades nesse espaços, o que nos traz o desafio de buscar formas mais seguras e permanentes de se comunicar e se organizar.
    Esse texto é fruto de um acumulo que a Cordel Anarquista vem construindo ao longo desses anos (seja em transmissão ao vivo ou em oficinas presenciais) no debate sobre Segurança Digital para Ativistas, além de somar aos mais diversos grupos e coletivos que com muito esforço tem pautado esse tema também.
    Um breve histórico da In-Segurança Digital no Bra$il
    Há um pouco mais de uma década no Bra$il iniciou um processo de expansão de um meio de comunicação até então distante de grande parte da população, eis que surge a famosa internet, que surgiu alguns anos após as privatizações das telecomunicações em 19981, durante a ditadura de FHC. Ela surgiu em uma conjuntura econômica onde o telefone era ainda a mais nova tecnologia que pessoas com um pouco mais de renda poderia ter. Para uma esmagadora parcela da população até aquele momento as principais formas de comunicação ainda eram o Rádio, a Televisão e para se comunicarem entre si estava o tradicional e secular correio.
    Diante dessa nova tecnologia a maior parte dxs usuarixs da internet tinham pouco ou nenhum conhecimento de como manejar ou se posicionar diante do que estava colocado, lembrando que nessa época ainda poderia encontrar cidades ou lugares que ainda davam as tradicionais aulas de datilografia.
    Com o objetivo de “atrair” (leia-se enganar) esses novxs usuarixs, as grandes empresas da internet (AOL, IG, BOL, Google, Microsoft, Yahoo, UOL, etc.) ofereciam alguns serviços “gratuitos”, como por exemplo, o serviço de e-mail, que em muitos casos era obrigatório a criação, devido a utilização desses mesmos provedores para a utilização da internet, que na época era discada (por meio da utilização de pulso telefônico). O e-mail inseguro foi o primeiro vínculo de controle que a maior parte dxs companheirxs libertárixs e anarquistas tiveram com as empresas monopolizantes de informação.
    A euforia era tanta que nem ao menos se via questionamentos em relação a segurança (com algumas exceções é claro, uma delas seria o pessoal das rádios livres e o centro de mídia independente, que desde a criação do site no Bra$il em dezembro de 20002 não armazenava os ips dxs usuarixs, e seus ativistas também faziam debates sobre segurança digital) mas, as pessoas em geral estavam mais focadas em como utilizar essas novas ferramentas, do que entender quem são e quais são os verdadeiros objetivos dessas empresas.
    E assim juntamente com a expansão da internet foi também se naturalizando a falta de preocupação na questão da segurança, quando muito deixando a segurança limitada somente a senha do email, como se nossos inimigos fossem somente as pessoas comuns, ou se o único jeito de qualquer pessoa ter acesso aquelas informações seria com a senha, mas em nenhum momento nos vimos preocupadxs com as empresas que forneciam esse email.
    Todxs estavam nas Redes “Sociais”, principalmente o aparato repressor do E$tado
    Algo bem maior que estava por vir, as velhas conhecidas redes “sociais”, e que no bra$il a primeira foi o que é agora obsoleto, o Orkut3, que surgiu em 2004, um serviço oferecido pela mesma empresa que desde sempre monopoliza, controla e determina as pesquisas da maior parte dxs usuarixs da internet, a Multinacional Google.
    Em pouco tempo víamos quase todos nossos contatos utilizando essa rede “social” (a partir de agora irei me referir as redes “sociais’ a partir da abreviatura RS), seja para reencontrar amizades, ou/e para utilizar na organização de manifestações, através das “comunidades”, mas na maioria das vezes de forma insegura, uma prova disso é que muitxs utilizavam seu nome completo como a identificação do perfil, prática essa que perdurou por muito tempo, até em outras RS, só mais tarde foi surgindo os fakes com a finalidade do anonimato ligado ao ativismo.
    De todas as RS que foram criadas houveram duas que foram mais difundidas mundialmente, o Twitter em 20064, e a maior de todas, o facebook (surgida em 2004 e que se tornou mais popular no brasil em 2011)5 que em um curto período de tempo foi tendo uma migração em massa da antiga RS para essa nova. E aos poucos xs companheirxs foram abandonando outros meios de comunicação como o e-mail, “obrigando” dessa forma que todxs estivessem nesse mesmo espaço para poderem se comunicar, o que fortaleceu ainda mais o monopólio dessas empresas em nossa comunicação.
    Com as RS se intensificaram também o processo de centralização, não só dos contatos entre as pessoas, podendo agora encontrar qualquer pessoa em um só lugar, mas principalmente centralizou também as informações, podendo as empresas e os governos ter mais controle sobre o que as pessoas pensam e fazem, isso tudo é claro só acontece devido a total cumplicidade e disponibilidade das empresas fornecedoras desses serviços.
    Com o maior acesso a internet, individuxs e coletivos ativistas, com muita razão, se viram surpresxs com a facilidade de se articular e organizar através desse espaço, podendo fazer coisas que antes demandava um esforço tremendo, e assim foi criado uma ilusão no imaginário social entre xs ativistas, de que  poderia existir independência e autonomia utilizando essas ferramentas, mesmo cada vez mais nos enfiando até o pescoço nas grandes corporações.
    O Ativismo e a Internet
    Para a maior parte de integrantes de coletivos, movimentos sociais ou mesmo individuxs independentes, e isso inclue nós libertárixs e anarquistas também, para a maioria de nós a relação com a internet não foi muito diferente do que aconteceu com a maior parte da população, fomos envolvidxs na naturalização da exposição, substituindo muito rapidamente formas seguras que até então usávamos para se organizar, para utilizar agora os e-mails inseguros, blogs proprietários e as RS. Foi se abandonando cuidados construídos ao longo de muitos anos de luta, no qual sabíamos muito bem utiliza-los, porque foi desenvolvido por nós, para invés disso entrar em um ambiente nebuloso, criado e controlado pelas grandes empresas, onde todxs são somente uma peça de seu jogo, e assim aos poucos não perdemos somente a capacidade de autogerir nossa segurança, mas também de se auto-organizar.
    Ao mesmo tempo em que essas novas tecnologias começaram a ser utilizadas por individuxs e coletivos com a finalidade de se organizar contra governos e empresas, e isso somado ao maior acesso das pessoas a conteúdos que durante muito tempo esteve sobre propriedade das empresas (filmes, musicas, livros, etc) e que começaram a ser hackeados, junto com tudo isso foi também se ampliando o controle, que sempre existiu, mas que a partir desse momento começa a ser mais visível, através das famosas “políticas de privacidade”, que vai se modificando cada vez em um período mais curto de tempo.
    A globalização das RS também aconteceu nos coletivos e movimentos sociais, que começaram a utiliza-las como o principal meio de comunicação e organização. Assim começaram a surgir pela primeira vez na história, manifestações e protestos sendo organizado quase que exclusivamente pelas RS, levando uma quantidade enorme de pessoas para as ruas, tendo as revoltas árabes iniciada na Tunísia em dezembro de 20106 um dos maiores exemplos até então (logo mais no brasil em junho de 2013, teríamos as “revoltas de junho”).
    As Grandes Corporações da Internet a Serviço da Repressão E$tatal
    Em todos esses anos de utilização da internet, não tínhamos até então nenhum caso visível de que as informações sejam elas pública ou privada nas RS, pudessem ser utilizadas como provas para incriminar alguém, até que em 2013 começa a surgir informações sobre os primeiros casos durante as manifestações contra o aumento da tarifa de ônibus em Porto Alegre. Depois disso começaram a pipocar novos casos em diversas outras cidades como: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Natal, Goiânia, e se estendendo até o dias atuais, onde várixs companheirxs se encontram presxs ou perseguidxs pelo e$tado, e são utilizadas mesmo que muitas vezes forjadas, o rastreamento dos diferentes tipos de comunicações (internet, telefone, etc) como provas para criminalizar ativistas.
    Percebemos que atualmente a pauta da segurança, seja digital ou em geral, começa estar mais presente dentro das preocupações dxs ativistas. É importante lembrar que no bra$il durante mais de um década não tínhamos protestos na proporção que vimos em 2013, devido a dificuldade de se organizar e lutar diante da ditadura do PT (lula, dilma e cia) que foram eleitxs passando uma ideia para a população de que eram populares, e que além das cooptações das “lideranças” (estratégia principal) também criaram uma falsa esperança nos movimentos sociais.
    Dessa forma durante todos esses anos a maior dificuldade dos coletivos e movimentos sociais era agregar para junto deles pessoas novas, o que foi deixando os coletivos ou movimentos na sua maioria marcados pela presença de companheirxs oriundos das lutas da década de 90, e em particular xs libertárixs e anarquistas que muitxs eram frutos do movimento anarcopunk e da luta antiglobalização (1999/2000), e com pouca renovação dxs ativistas, mesmo com o grande esforço dxs mesmxs.
    As revoltas de junho de 2013 foi responsável por dar uma renovada nxs ativistas, aparecendo muitas pessoas interessadas em conhecer o anarquismo e se inserir nas lutas, mas no que se refere ao debate sobre a segurança dos grupos isso ainda era novo. Os motivos disso podemos entender, que além do desconhecimento dessas novas tecnologias por parte dxs ativistas, também tem grande importância a diminuição de manifestações e protestos durante tantos anos, o que fez não haver mobilizações permanentes, e assim ter pouco acúmulo.
    Retomar o controle sobre nossa Segurança e Auto-Organização
    Sabemos que quem mais tem sofrido o risco de repressão do e$tado tem sido aquelxs companheirxs que estão em enfrentamento direto com essa forças, e que na maioria dos casos são xs companheirxs libertárixs e anarquistas. Dessa forma é de extrema urgência que o debate sobre segurança seja discutido dentro de coletivos, okupas, organizações ou mesmo entre individuxs que não fazem parte de nenhum coletivo, mas que atuam isoladx ou coletivamente.
    A cada dia surgem novos casos de presxs anarquistas em várias partes do mundo (chile, bolívia, argentina, uruguai, grécia, itália, bra$il e em diversos outros lugares) e vemos que existe uma colaboração não somente entre cidades e e$tados do bra$il, mas também de governos de outros paí$es, com o objetivo de buscar novas estratégias de repressão.
    É realmente muito fascinante as facilidades tecnológicas que a cada segundo surgem, a rapidez em se comunicar etc, mas já temos condições de perceber, que nada é de graça, mesmo que não precisamos pagar diretamente por isso, nossa segurança é o preço, nossa liberdade é o preço, e se optamos em utilizar as ferramentas construídas e controladas pelas grandes corporações para se organizar estamos correndo sérios riscos.
    É mais do que nunca necessário que nós libertárixs e anarquistas retomemos a auto-organização, e construamos nossas próprias ferramentas e formas de segurança. Mesmo que para isso tenhamos que fazer escolhas e assumir os riscos. E quando for utilizar espaços não seguros, tomar o máximo de cuidado.
    Já alguns anos muitos coletivos tem construído meios seguros para a utilização da internet e de outros meios digitais, tornando cada vez mais fácil manejar essas ferramentas, o que possibilita para as pessoas leigas em conhecimento de informática utiliza-las sem muitos problemas.
    Segue alguns links em que neles poderão encontrar dicas de softwares e procedimentos de segurança:
    Tem Boi na Linha: Guia Prático de combate a vigilância na Internet. Site desenvolvido pelo CMI-RJ.
    We Riseup: Rede Social Segura
    Tutorial de como utilizar o WE
    Riseup :Email Seguro
    Para acompanhar ou entrar em contato com a Cordel Anarquista:
    Grupo na Rede Social we.riseup: https://we.riseup.net/cordelanarquista
    Página da Cordel Anarquista no Fachobook Inseguro: https://www.facebook.com/pages/Cordel-Libert%C3%A1rio/1406579402945433?ref=hl
    Twitter Inseguro: @RadioCordel
    Fontes:
    1 http://pt.wikipedia.org/wiki/Privatiza%C3%A7%C3%A3o_da_Telebr%C3%A1s
    2http://docs.indymedia.org/view/Local/CmiBrasilOqueEh#Independ_ncia
    3http://pt.wikipedia.org/wiki/Orkut
    4http://pt.wikipedia.org/wiki/Twitter
    5http://pt.wikipedia.org/wiki/Facebook
    6http://pt.wikipedia.org/wiki/Primavera_%C3%81rabe